Nos últimos 50 anos um estilo de punição disciplinar do Vaticano vem nos estranhando muito, porque desconsidera os fiéis que, por motivos geográficos, residem distantemente da Santa Sé. Expliquemos melhor: quando prelados de dignidade são punidos por erros graves, a pena que se impugna aos mesmos é a de enxota-lhes para um país distante, preferencialmente para o Oriente (a exemplo do que fez Paulo VI com Monsenhor Bugnini, agraciando-o com uma nunciatura no Iraque). Acontece que tais prelados que cometeram erros graves são enviados para tais nações, como se elas constituíssem um remédio homeopático, uma panacéia qualquer, desconsiderando-se os fiéis que se submeterão à tais dignitários eclesiásticos.
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Culpados pelo vazamento de informações do Vaticano estão nos altos escalões da Secretaria de Estado. Serão enviados por Bertone para o Extremo Oriente e África.
Por Antonino D’Anna, Affaritaliani.it | Tradução: Fratres in Unum.com – “Posso dizer que aqueles que divulgaram os documentos serão os próximos núncios na África e nas ilhas asiáticas, muito longe de Roma, onde eles não podem causar danos. Esta é a punição que receberão pelo vazamento das informações daqui”. Desta vez, a voz da fonte de Affaritaliani.it é muito, muito gélida e seca, mas de fato: no tempo devido, acalmada as águas, o Vatican Information Service, o boletim que informa as notícias da Sala de Imprensa da Santa Sé, poderia anunciar a seus leitores a nomeação de “ao menos dois” ex-membros dos altos escalões da Secretaria de Estado. Os quais estarão de partida para a África e o Extremo Oriente, muito extremo. Na qualidade de núncios apostólicos, ou embaixadores do Papa. ‘Promoveatur ut amoveatur’, em perfeito estilo. Uma remoção sem remissão dos pecados. “Falemos claro”, continua a fonte, “se são enviados como núncios, certamente não são minutanti [ndr: cargo secundário na cúria que se ocupa com a preparação de minutas], ou seja, empregados. Se falamos de próximos núncios, é claro que se tratam de pessoas que trabalham nos níveis superiores, muito altos, enfim, próximos do escritório de Bertone. Bispos, arcebispos, e, de toda forma, gente na carreira”, diz a fonte. Que se expressa: “Desta vez, eles empenharam profundamente a Gendarmerie, lançaram a polícia vaticana com um mandato prioritário: descobrir rapidamente quem fofocava, para conter os vazamentos”. E então os resultados vieram, resultando em punição. “Bertone desta vez perdeu a paciência, o Papa foi informado e a operação foi realizada. Agora a punição será esta: o exílio e o fim de possíveis carreiras promissoras”. Quem são os mandantes? “Não há muito no que pensar. Eram monsenhores muito críticos a Bertone que começaram a distribuir documentos para atingi-lo. Foi um ataque vindo de dentro, não há mandantes neste momento”. E recorda dos Millenari, o famoso (imaginário?) grupo que escreveu o livro-escândalo “Via col vento in Vaticano”.¹
Deixo, por fim, um rápido comentário. Como podem ter observado, é um procedimento de praxe enviar os prelados para nunciaturas longínquas; algo que nem vem a constituir uma punição exemplar, proporcional às faltas cometidas, tampouco vindo a ser benéfica para os fiéis. Somente pode atingir esta pena os brios do apenado, nada mais. E o Vaticano continua com seu aggiornamento...
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¹ - Artigo extraído integralmente do site "Fratres in Unum" (acessado em 17 fev 2012) em: <http://fratresinunum.com/2012/02/17/culpados-pelo-vazamento-de-informacoes-do-vaticano-estao-nos-altos-escaloes-da-secretaria-de-estado-serao-enviados-por-bertone-para-o-extremo-oriente-e-africa/>.
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